sábado, 23 de setembro de 2017

10 anos de Aika! A história da Saga

Há exatos 10 anos, em uma madrugada de 23/09/2007, acordei por volta das cinco da manhã já descarregando palavrões. Bastava surgir um pequeno raio de sol para me despertar, isso quando não perdia horas tentando dormir. Problemas de sono são meu ponto fraco desde que me conheço por gente, mas nunca iria imaginar que aquele dia incomum fosse apenas uma sementinha da árvore que começou a florescer este ano.
Na tentativa de retornar aos braços de Morfeu, minha mente tentou se acalmar pensando em nada mais nada menos do que histórias. Vivia criando várias, de fanfics a obras originais. Em algum momento, me surgiu uma estranha visão que mais parecia penúltimo capítulo de novela, um quase sonho que tratava-se do final de uma história densa, onde quatro personagens muito distintos viviam um momento decisivo. Eles tinham outros nomes, mas hoje você os conhece como Kurikara, Riko, Iruka e Aika – na ordem em que apareceram para mim. 

Aquela visão me fascinou de tal forma que ao “acordar”, dei um pulo da cama e fui correndo escrevê-la antes que se perdesse, além de desenhar os personagens que vi. A medida que escrevia, novas ideias iam surgindo, embora, ainda não tivesse decidido qual seria o suporte: livro ou quadrinho/mangá. Quando lembrei que devia tomar café da manhã depois de ter escrito mais de cinco páginas de caderno a caneta, dei uma pausa com as mãos tremendo, pois uma coisa não saía da minha cabeça: o garoto que vi tinha que ter algo não-humano, algum superpoder. 

Me perdoem, afinal, eu tinha treze anos e estava na vibe de garotos com orelhas de cachorro, caudas ou asas. Tinha que fazer isso! Porém, asas de anjo já era batido, orelhas eram clichê demais… com meu cérebro fervendo de dúvidas, eis que abro a porta da geladeira e encontro uma garrafa com um rótulo escrito “Fênix” (nem sei se ainda existe) e senti minha mente dando um estalo digno que quebrar vidros: meu protagonista teria asas de fênix! Nunca tinha visto ninguém assim e ele seria o primeiro!

Certo, ele não foi o primeiro no mundo, mas admito que foi uma das minhas soluções mais criativas. 

Decidi reaproveitar coisas de outras histórias antigas minhas (quase todas inacabadas): Orbes com poderes de controlar a natureza surgiram de um fanzine muito velho que fiz com os personagens de Sonic, por volta dos meus nove anos. Um gato que vira um dragão veio de um mangá que eu fiz baseado num possível “fim do mundo de 2012”, quando tinha doze anos, onde uma menina ia para outro mundo e seu gato preto virava um dragão dentro dele – que falava e ainda atirava raios. Reunir personagens famosos na casa de uma fã apaixonada veio de um texto ainda mais antigo, dos meus sete anos, em que no dia de uma tempestade abriguei Mickey, Pateta e Pluto em meu humilde lar.

Durante aquele 2007 a 2008, escrevi e desenhei todo o primeiro da saga (que na época tinha outro nome e sem cenas em mangá). Pesquisei nomes em japonês com a ajuda de uma amiga, registrei as mais de 300 páginas na biblioteca nacional e entreguei o original a uma das maiores editoras do país. Fui recusada por uma carta muito coesa, mas que para uma jovem orgulhosa de treze anos foi um verdadeiro tiro no peito. Fiquei totalmente desmotivada.

Naquela época, não havia Wattpad nem Amazon Kindle para dar voz a novos autores, fora que publicação independente era ainda mais difícil. Além disso tudo, pobreza é algo complicado e desmotivador. Na época eu vendia desenho para comprar pão desde os sete anos, era humilhada na escola por isso e fui dubladora a partir dos nove para ajudar meu pai desempregado. Se vocês não passam por algo assim, deem graças ao Deus/deuses que acreditam. Logo, ser escritora, nem pensar. A saga ficou na gaveta anos por conta disso, ganhando uma ou outra adição e, ao ver que meu talento como desenhista rendia bons freelas e eu tinha gatos para dar de comer, decidi que viveria apenas de ilustração ou design. Isso não foi muito legal e queria ter acreditado mais em mim quando era jovem, ter praticado mais…

Foi no Ensino médio que pensei em retornar com a saga, incentivada por professores e colegas que me fizeram acreditar que tinha boas ideias. Mas somente na faculdade através do aprendizado de ilustração e artes que comecei a pôr a mão na massa, por volta de 2013. Para não correr o risco de largar tudo de novo, meu namorido me incentivou a ter uma rotina de escrita, acordando cedo todo dia para bater alguma cena ou fazer alguma arte. Foram inúmeros testes até chegar no que vocês têm hoje – e o meu eu de dez anos atrás ia cair para trás se visse isso tudo.

2017 foi o ano mais louco da minha vida. Publiquei Aika como independente com dinheiro emprestado e o retorno que tive foi surpreendente. Não o financeiro, porque lucro com livros é quase impossível. Estou falando de material humano: amigos que fiz, desafios que superei, aprendizado como designer e ilustradora, contatos, novas ideias… estou tomada de gratidão. Claro que devo tudo isso a muitas pessoas: família, amigos, professores e principalmente vocês, meus leitores. Não consegui ainda uma editora, mas vim para dizer que não precisamos de uma para começar. Estou ainda numa espécie de transe com o que Aika era há dez anos atrás e o que está se tornando hoje. Gente, isso é muito louco e só tenho a agradecer!

Abaixo, deixo a imagem que compara a evolução dos personagens. As maiores mudanças foram em Kurikara e em Riko, fora a evolução do meu traço. 

O final que vi há dez anos atrás era muito… triste, diga-se de passagem, e não vou mantê-lo. Ele serviu de base para o que é a saga hoje, mas prometo que o novo final planejado para ela valerá muito apena.

Lembrando que o livro 2 está previsto para chegar ao Wattpad em agosto de 2018 e peço desculpas pela demora, pois estou na reta final da faculdade. Deixo com vocês esta arte feita para os brindes da Bienal como wallpaper e agradeço, de verdade, por estarem nesta jornada comigo. Até a próxima!

PS: Hoje é também o aniversário do Kurikara

PS2: Hoje também é o dia internacional do sorvete e dia da visibilidade bissexual. Só fui saber esse ano xD

3 comentários:

  1. Não esqueça do primeiro livro registrado levado na Editora Editora Rocco!

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  2. Ahhh, Lúcia, que post maneiro! É um grande dia para se comemorar em Aika, adoro comparar essa evolução dos personagens, é curioso porque depois que entramos na facul e começamos a aprender umas técnicas novas nosso estilo evolui muito depressa! Se você continuar nesse nível com os freelas, até o próximo livro vai estar ainda melhor.

    Gostei de compreender pelo menos um pouquinho de suas experiências e o que a levou a mergulhar tão profundamente nessa histórias. Quando somos crianças todo mundo quer criar um mundo de fantasia, mas só conforme vamos amadurecendo é que conseguimos desenvolver melhor os personagens, vamos deixando de lado aquelas ideias que pegávamos emprestado dos mangás, desenhos, filmes e jogos e vamos aos poucos tornando-os cada vez mais "nosso". Só percebi agora que você comentou das referências de Inuyasha e Sonic, mas como eu poderia imaginar? kkkkk É muito legal porque essa nossa geração cresceu com as mesmas paixões, então quando lemos histórias assim é como voltar para aqueles tempos!

    Achei legal que só pelos olhos dá para ver muito dos antigos personagens na versão atual, mas a que mais parece ter mudado foi a Aika, acho que valeria a pena um dia você nos mostrar uns trechos dessas fanfics e arquivos perdidos kkkkkkkkkk Se em algum momento dos livros eu ver a Aika com uma flor na cabeça, vou interpretar como uma homenagem para sua ancestral, Mellody kkkkk Parabéns pelos 10 anos de história e que logo venha o 1º ano do livro!

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